Riscos de Incidentes ou Eventos Adversos Relacionado a Sonda Enteral


Os processos envolvidos na assistência aos pacientes que necessitam de alimentação por sonda guardam riscos de incidentes ou Eventos Adversos (EA). Por definição do Ministério da Saúde brasileiro, incidente é descrito como evento ou circunstância que poderia ter resultado, ou resultou, em dano desnecessário ao paciente, enquanto EA é conceituado como qualquer . 

Incidente que resulta em dano ao paciente. Nesse sentido, um dos EA mais conhecidos e mais temidos é a broncopneumonia decorrente da administração da terapêutica no trato respiratório, secundária à localização incorreta da SE ou ao refluxo de conteúdo gástrico pela posição esofágica da ponta distal da sonda.

Outros eventos relacionados à SE e de grande potencial para danos são descritos na literatura, habitualmente por meio de relatos de caso. Dentre eles, cabe destacar a Síndrome da Sonda Enteral, na qual ocorrem lesões da mucosa laríngea e paresia das pregas vocais, laceração esofágica em consequência de remoção da sonda emaranhada em si mesma, perfuração gástrica, inserção da sonda no cérebro, pneumotórax hipertensivo, queimadura de segundo grau em virtude da desconexão da sonda e refluxo do suco gástrico, entre outros.

Cuidados de Enfermagem com a Sonda Nasoenteral (SNE)

A passagem da Sonda Nasoenteral pelo enfermeiro, é regulamentada pelo Conselho Federal de Enferamgem (Cofen) através da Resolução Cofen Nº 619/2019ela stabelece as diretrizes necessárias para atuação da equipe de enfermagem na sondagem orogástrica, nasogástrica e nasoentérica, com o objetivo de obter a efetiva segurança do paciente ao ser submetido ao procedimento de sondagem, independente de sua finalidade.

A Resolução Nº 619/2019 do Conselho Federal de Enferamgem, trás a competência do profissional enfermeiro bem como os demais membros da equipe de enfermagem na assistência ao paciente que faz ou que fará uso desse procedimento.

Compete ao Enfermeiro:

  • Definir o calibre da sonda que será utilizada, de acordo com o procedimento prescrito;
  • Estabelecer o acesso enteral por via oro/nasogástrica ou transpilórica para a finalidade estabelecida (alimentar, medicar, lavar, drenar líquidos ou ar, coletar material gástrico e realizar exames para fins diagnósticos);
  • Proceder os testes para confirmação do trajeto da sonda;
  • Solicitar e encaminhar o paciente para exame radiológico visando a confirmação da localização da sonda, no caso da sondagem nasoentérica;
  • Garantir que a via de acesso seja mantida;
  • Garantir que a troca das sondas e equipo seja realizada em consonância com o pré-estabelecido pela CCIH da instituição;
  • Prescrever os cuidados de enfermagem;
  • Registrar em prontuário todas as ocorrências e dados referentes ao procedimento;
  • Participar do processo de seleção do material para aquisição pela instituição;
  • Manter-se atualizado e promover treinamento para os técnicos de enfermagem, observada a sua competência legal.

Compete ao Técnico de Enfermagem ou ao Auxiliar de Enfermagem:

  • Auxiliar ao enfermeiro na execução do procedimento da sondagem oro/nasoenteral;
  • Promover cuidados gerais ao paciente de acordo com a prescrição de enfermagem ou protocolo pré-estabelecido;
  • Comunicar ao Enfermeiro qualquer intercorrência advinda do procedimento;
  • Proceder o registro das ações efetuadas, no prontuário do paciente, de forma clara, precisa e pontual;
  • Participar das atualizações.

A alimentação por sonda pode ser administrada no hospital, em centros de reabilitação, centros de enfermagem especializado e em home care. Há evidências crescentes de que há benefícios significativos da nutrição enteral em comparação com a nutrição intravenosa, mas isso é outro assunto que falaremo depois.

O movimento crescente em direção à alimentação enteral exige que os enfermeiros compreendam a necessidade, os fatores de risco, o posicionamento adequado do paciente e a importância da colocação do tubo. O conhecimento ajudará o enfermeiro ou o profissional de saúde a fornecer cuidados ideais ao paciente, o que, por sua vez, melhorará os resultados do paciente.

Conselho Federal de Enferamgem finaliza a redação da Resolução Nº 619/2019 afirmando que o procedimento da Sondagem Orogástrica ou Nasoenteral, deve ser executado no contexto do Processo de Enfermagem, atendendo-se às determinações da Resolução Cofen nº 358, de 15 de outubro de 2009 e da Resolução Cofen nº 429, de 30 de maio de 2012 e aos princípios da Política Nacional de Segurança do Paciente, do Sistema Único de Saúde (SUS).

Referências

Manual de Nutrição Clínica, alimentação por sonda de administração de nutrição enteral, Nutricia Advanced Medical Nutrition, junho de 2008 Resolução Cofen Nº 619/2019, Conselho Federal de Enfermagem. Kudsk, K.A. (2007). Efeito benéfico da alimentação enteral. Clínicas de Endoscopia Gastrointestinal da América do Norte, 17(4), 647–662.

Boullata JI, Carrera AL, Harvey L, Escuro AA, Hudson L, Mays A, et al. ASPEN Safe Practices for Enteral Nutrition Therapy. JPEN J Parenter Enteral Nutr. 2017 Jan;41(1):15-103. DOI: 10.1177/0148607116673053

Brasil. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 63, de 6 de julho de 2000. Fixa os requisitos mínimos exigidos para a Terapia de Nutrição Enteral [Internet]. Brasília (DF); 2000 [cited 2019 Jul 18]. Available from: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/ saudelegis/ anvisa/2000/rdc0063_06_07_2000.html

Lyske J. A rare complication of nasogastric tube insertion. BMJ Case Rep. 2011 Sep 28;2011:1-2. DOI: 10.1136/bcr.08.2011.4606

Hermann AP, Cruz EDA. Enfermagem em nutrição enteral: investigação do conhecimento e da prática assistencial em hospital de ensino. Cogitare Enferm. 2008 out-dez;13(4):520-5. DOI: 10.5380/ ce.v13i4.13111

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