Mas qual a diferença entre desfibrilador e cardioversor?

O avanço da tecnologia em equipamentos médicos vai fazendo com que estes dispositivos sejam cada vez mais sofisticados e diversificados. No segmento da terapia elétrica, não é diferente! É mesmo comum ficar confuso em meio aos vários tipos de aparelhos que compõem este universo. Desfibrilador, cardioversor: de fato, ambos são direcionados para a liberação de estímulos elétricos no coração. Por isso, são peças-chave na missão de preservar e salvar vidas.

Por outro lado, apesar de partilharem o mesmo objetivo, estes aparelhos contam com diferenças técnicas importantes. Assim como indicações e modos de uso próprios.

Bem, falar sobre a diferença entre desfibrilador e cardioversor é falar, antes de mais nada, sobre o modo de liberação do choque elétrico, ou da diferença entre desfibrilação e cardioversão.

Desfibrilação

Para recapitular, sabemos que o processo de desfibrilação consiste numa intervenção externa através de choques elétricos aplicados na parede torácica do paciente, visando cessar a arritmia e fazer com que o coração volte ao seu ritmo normal. De um modo mais simples, desfibrilar o coração é como apertar o botão de Reset de um aparelho eletrônico que está travado e não funciona.

Assim, os choques (que são aplicados por meio de eletrodos conectados ao equipamento) “reiniciam” as células que estão se comportando de maneira desorganizada, fazendo com que elas voltem ao seu ritmo natural e saudável.

Um dos fatores que pode aumentar a confusão entre os dois aparelhos é que o cardioversor é considerado um tipo de desfibrilador – ele traz consigo todas as operações deste dispositivo. No entanto, possui ainda outro importante recurso incorporado: um circuito capaz de se sincronizar com os batimentos cardíacos do paciente (detectando uma arritmia ou fibrilação), em geral aliado a uma tela que envia informações do ECG do paciente ao operador. Atualmente, os cardioversores são os modelos de desfibrilador mais comuns nos hospitais.

ECG com arritmias supraventriculares e paroxismo curto de fibrilação atrial

Arritmia supraventricular e aproximo curto de fibrilação atrial 

Cardioversão

A cardioversão, neste contexto, é a aplicação de um choque elétrico sobre o tórax com o objetivo de despolarizar todas ou quase todas as fibras cardíacas de maneira simultânea. Ele visa restaurar o impulso do coração de forma coordenada. Vamos partir, agora, para a diferença mais importante entre os aparelhos:

A desfibrilação é um procedimento de emergência que consiste na aplicação de um choque não sincronizado de corrente elétrica no tórax do paciente (desfibrilação externa) ou diretamente sobre o músculo cardíaco (desfibrilação interna) com o objetivo de reverter a fibrilação ventricular ou a taquicardia ventricular sem pulso. Já a cardioversão, por sua vez, é um procedimento eletivo ou de emergência que necessita de sincronização e é classicamente indicado nos casos de taquicardias instáveis ou a critério médico.

Podemos afirmar, portanto, que a cardioversão é uma outra modalidade de terapia elétrica voltada a determinadas arritmias – diferente da desfibrilação, ela é realizada por meio da aplicação de uma descarga elétrica sincronizada com o complexo QRS. Para isso, é preciso que o paciente esteja monitorado no cardioversor, cujo botão de sincronismo deve estar ativado. No caso da cardioversão, afinal, o choque é liberado apenas na onda R ou período refratário.


















Cardioversor

Por este motivo, convém reforçar, é que os cardioversores possuem circuitos aptos a detectar a atividade elétrica do coração e sincronizar a aplicação do choque desfibrilatório com a onda R do ECG. Nesta perspectiva, a cardioversão é utilizada principalmente em fibrilações atriais e arritmias menos severas, enquanto a desfibrilação busca em grande parte reverter distúrbios graves como a taquicardia ventricular (TV) e a fibrilação ventricular (FV).

Como o disparar do choque do cardioversor exige o reconhecimento de leitura do ECG (para localizar o exato momento da onda R), fica fácil entender por que este aparelho só pode ser utilizado por médicos e enfermeiros treinados, não é mesmo? Por sua vez, os desfibriladores externos automáticos (DEAs) são de uso simples e podem ser utilizados por qualquer pessoa treinada. Isso porque o próprio aparelho reconhece a fibrilação. E também indica ao usuário o que deve ser feito, sinalizando também o momento do choque.

Vale acrescentar que alguns cardioversores possuem o modo DEA (em que esta funcionalidade mais simples pode ser ativada). E, da mesma forma, alguns desfibriladores podem ser operados como cardioversores. Tudo para oferecer um atendimento mais focado no caso específico do paciente e do socorrista. É interessante perceber como a tecnologia hospitalar é aprimorada para se adaptar a diferentes casos, não é mesmo?

















Referências Bibliográficas

KARCIOLGLU, M. Et al. Desenvolvimento de fibrilação ventricular por causa do etomidato para indução anestésica: um efeito colateral muito raro, relato de ccaso. Revista Brasileira de Anestesiologia. V.64, n.5, p.365-368, junho. 2014.

PAZIN-FILHO, A.; SANTOS, J. C.; CASTRO, R.; BUENO, C.; SCHMIDT, A. PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA (PCR). Medicina (Ribeirao Preto. Online), v. 36, n. 2/4, p. 163-178, 30 dez. 2003.
SOUZA, ABG; CHAVES, LD; SILVA, MCM. Enfermagem em Clínica Médica e Cirúrgica: Teoria e prática. Martinari, 2015. 

http://www.anm.org.br/

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Escala de Humpty-Dumpty para crianças (RISCO DE QUEDA)

Derivação Ventricular Externa (DVE)

O QUE FAZ UM TÉCNICO DE ENFERMAGEM EM UMA UTI NEONATAL?